Uma especificação de café verde bem escrita elimina a maior parte das surpresas de um embarque. Antes de discutir preço, o comprador deveria conseguir responder três perguntas só com o documento: que padrão físico vou receber, que perfil sensorial esperar e como isso será verificado.
Padrão físico: peneira e defeitos
A peneira (screen) define o tamanho do grão — um NY 2/3 peneira 17/18 é um contrato diferente de um peneira 14/16, ainda que ambos sejam "café arábica". A contagem de defeitos por amostra de 300 g completa o quadro físico.
- Peneira 17/18 — grãos maiores, torra mais uniforme, mercados exigentes.
- Peneira 14/16 — base de blends comerciais de alta circulação.
- Defeitos tipo 2/3 — máximo de defeitos aceito por amostra, conforme a classificação.
Umidade e atividade de água
O intervalo seguro de umidade fica entre 10,5% e 12%. Acima disso o lote corre risco de fungo durante o trânsito marítimo; abaixo, perde peso e qualidade sensorial. Em contratos de volume, a medição na origem e no destino evita disputa.
Prova de xícara
Especificação física idêntica não garante xícara idêntica. A prova é o que liga o papel ao produto.
Para blends industriais, "good cup, clean cup" costuma bastar; cafés de padrão superior pedem notas sensoriais descritas. O laudo de prova deve acompanhar a amostra de pré-embarque aprovada.
O que exigir antes de fechar
Amostra de pré-embarque aprovada por escrito, laudo de umidade, contagem de defeitos da amostra e — em operações novas — inspeção independente na origem. Com esses quatro itens, a especificação deixa de ser promessa e vira critério verificável.